(51)3224-8400
Dólar: R$4,097 | Taxa Selic: 6,75% | Salário Mínimo: R$998,00
img-responsive

Setor de serviços cai 0,7% em março, 3º recuo mensal seguido

Setor de serviços cai 0,7% em março, 3º recuo mensal seguido

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, queda foi de 2,3%, a mais intensa desde maio de 2018 (-3,8%), confirmando a perda de fôlego da economia e chance de possível queda do PIB no 1º trimestre.

O volume do setor de serviços caiu 0,7% em março frente a fevereiro, segundo divulgou nesta terça-feira (14) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da terceira queda mensal seguida do indicador, confirmando a perda de ritmo da economia neste início de ano e reforçando a expectativa de uma possível retração do PIB (Produto Interno Bruto) no 1º trimestre.

Na comparação com março do ano passado, a queda foi de 2,3%, a mais intensa desde maio de 2018 (-3,8%), interrompendo uma sequência de 7 taxas positivas nessa base de comparação.

O resultado veio pior que o esperado. As expectativas em pesquisa da Reuters eram de recuos de 0,1% na comparação mensal e de 0,8% na base anual.

Em 12 meses, a alta acumulada passou de 0,7% em fevereiro para 0,6% em março, interrompendo a trajetória ascendente iniciada em abril de 2017 (-5,1%).

Com o resultado de março, “o setor acumula queda de 1,7% nos três primeiros meses do ano e elimina a alta de 0,9% entre outubro e dezembro de 2018”, destacou o IBGE na divulgação.

O gerente da Pesquisa Mensal de serviços, do IBGE, Rodrigo Lobo, destacou que o resultado de março foi a queda mais intensa desde maio de 2018, quando houve a greve dos caminhoneiros.

A receita nominal de serviços, por sua vez, caiu 0,6% em março, frente ao mês imediatamente anterior, mas aumentou 1,1% em relação a um ano antes. No ano, houve expansão de 4,3% e, em 12 meses, elevação de 3,5%.

Queda de 0,6% no 1º trimestre

Segundo o IBGE, o setor de serviços teve queda de 0,6% no 1º trimestre, na comparação com o 4º trimestre. Foi a primeira queda trimestral após uma sequência de 2 altas (1% no 3º trimestre e 0,6% no 4º trimestre).
O resultado do setor de serviços, que representa cerca de 70% do PIB do país, reforça a leitura feita por diversos analistas de que a economia deve ter registrado retração no 1º trimestre.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) avaliou nesta terça-feira que os indicadores apontam para um desempenho da economia brasileira “aquém do esperado” no primeiro trimestre, com “probabilidade relevante” de queda do PIB no período.

O resultado oficial do PIB do 1º trimestre será divulgado pelo IBGE no próximo dia 30.

“O poder público está sem fôlego para investir e o setor privado não está compensando e preenchendo essa lacuna. A nova aposta para uma abertura de portas aos investimentos e para a atividade econômica é a aprovação da reforma da Previdência, mas quem garante que isso vai realmente acontecer?”, afirmou à Reuters o gerente da pesquisa.

Resultado por atividades

A queda de 0,7% em março, foi acompanhada por 3 dos 5 grandes ramos pesquisados, com destaque para o recuo de 1,7% em serviços de informação e comunicação. O volume de serviços profissionais, administrativos e complementares caiu 0,1% e o de outros serviços contraiu 0,2%.

Na outra ponta, serviços prestados às famílias aumentaram 1,4%, enquanto transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio tiveram ganhos de 0,5%.

“Provavelmente por causa do carnaval em março, os principais impactos positivos foram os setores de transporte aéreo e de concessionárias de rodovias, já que as pessoa viajaram mais nesse período”, avaliou Lobo.

Variação do volume de serviços em março, por atividades:

  • Serviços prestados às famílias: 1,4%
  • Serviços de alojamento e alimentação: 1,7%
  • Outros serviços prestados às famílias: 0,7%
  • Serviços de informação e comunicação: -1,7%
  • Serviços de tecnologia da informação e comunicação: -0,7%
  • Telecomunicações: -1,4%
  • Serviços de tecnologia da informação: -2%
  • Serviços audiovisuais: -0,5%
  • Serviços profissionais, administrativos e complementares: -0,1%
  • Serviços técnico-profissionais: zero
  • Serviços administrativos e complementares: -1,4%
  • Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio: 0,5%
  • Transporte terrestre: -1,9%
  • Transporte aquaviário: -2%
  • Transporte aéreo: 12,2%
  • Armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio: 2,1%
  • Outros serviços: -0,2%

“O setor de serviços mostra uma clara perda de dinamismo… As perdas mais importantes se observa em transporte rodoviário de cargas e em telecomunicações, que em conjunto representam 25% dos 166 serviços investigados”, destacou o pesquisador do IBGE.

Das 27 unidades da federação, 16 tiveram queda no volume dos serviços em março. Entre as localidades com resultados negativos, destaque para São Paulo (-0,9%), Rio Grande do Sul (-4,0%) e Mato Grosso (-7,7%). Já o principal resultado positivo veio do Rio de Janeiro (1%).

Risco de retração no 1º trimestre e perspectivas

Os primeiros meses de 2019 ano têm sido marcados por uma perda de força da recuperação econômica em meio a uma frustração de expectativas de empresários e percepção de que a tramitação da reforma da Previdência deverá levar mais tempo do que o inicialmente esperado.

O setor de serviços vem mostrando dificuldades em apresentar uma recuperação contínua em um ambiente de desemprego elevado, e acompanha os resultados fracos já vistos na indústria e no comércio.

A produção industrial caiu 1,3% em março, pior resultado desde setembro, e acumulou queda de 0,7% no 1º trimestre, na comparação com o 4º trimestre de 2018.

As vendas do comércio cresceram 0,3% em março, mas mostraram uma perda de dinamismo. O setor fechou o 1º trimestre com alta de 0,2% , após avanço de 0,6% no 4º trimestre.

Já a taxa de desemprego subiu para 12,7% em março, atingindo 13,4 milhões de brasileiros.

De acordo com a última pesquisa Focus do Banco Central, os economistas dos bancos passaram a estimar crescimento de 1,45% para este ano, após alta de 1,1% em 2018 e em 2017. Foi a 11ª queda seguida na previsão. Parte do mercado, entretanto, já fala em uma alta do PIB em 2019 ao redor de 1%, abaixo do observado no ano passado.

Fonte: G1 Economia.