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Copom reduz Taxa Selic para 5,50% ao ano

Copom reduz Taxa Selic para 5,50% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, por unanimidade, nesta quarta-feira (18), reduzir a Selic (a taxa básica de juros da economia) de 6,00% para 5,50% ao ano. Este é o segundo corte da taxa no governo Jair Bolsonaro, após um período de 16 meses de estabilidade. Com isso, a Selic está agora em um novo piso da série histórica do Copom, iniciada em junho de 1996.

Em meio à fraqueza da economia e aos índices controlados de inflação, a expectativa majoritária do mercado financeiro era de que a Selic passasse por um novo corte. Ao justificar a decisão, o BC avaliou que a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve ajuste no grau de estímulo monetário. Para o colegiado, o corte de 0,50 ponto é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária.

Ao mesmo tempo, o BC sinalizou que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo. Ainda assim, o Copom ponderou que essa avaliação não restringe a decisão na próxima reunião, marcada para os dias 29 e 30 de outubro. “Os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”, reiterou o comunicado.

No documento, o BC também atualizou suas projeções para a inflação. No cenário de mercado – que utiliza expectativas para câmbio e juros do mercado financeiro, compiladas no relatório Focus -, o BC alterou sua projeção para o IPCA em 2019 de 3,6% para 3,3%. No caso de 2020, a expectativa passou de 3,9% para 3,6%.

No cenário de referência, em que o BC utilizou nos cálculos uma Selic fixa a 6,00% e um dólar a R$ 4,05, a projeção para o IPCA em 2019 passou de 3,6% para 3,4%. No caso de 2020, o índice projetado se manteve em 3,6%.

Pela primeira vez, o comunicado da decisão do Copom também trouxe um cenário híbrido, com câmbio constante e taxa de juros conforme as expectativas do mercado, no relatório Focus. Nesse cenário, a inflação projetada para 2019 passou de 3,6% no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho para 3,4%. Para 2020, a estimativa passou de 3,9% para 3,8%.

O centro da meta de inflação do BC este ano é de 4,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (de 2,75% a 5,75%). Para 2020, a meta é de 4,00%, com margem de 1,5 ponto (de 2,5% a 5,5%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (2,25% a 5,25%). Já a meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (2,00 a 5,00%).

Instituições financeiras esperam um novo corte até o fim do ano

 

O novo corte de 0,5 ponto percentual da taxa Selic já era esperado pelo mercado, de acordo com a pesquisa semanal Focus, do Banco Central (BC). A expectativa dos analistas é de outra redução dos juros, para 5% ao ano, na reunião do Copom marcada para os dias 29 e 30 de outubro. Algumas instituições projetam que a Selic possa chegar a 4,50% no último encontro do comitê neste ano, em 10 e 11 de dezembro.

Jankiel Santos, economista do Santander, afirma que ainda há uma “gordura” que permite ao Copom cortar os juros de 5,50% para 4,50% ao ano em 2019 e mantê-lo nesse nível até o final de 2020. “Se tiver de fato um câmbio ao redor de R$ 4,10 e continuar cortando taxa de juros, não vai deixar de cumprir meta (de inflação) no ano que vem. Então, tem espaço para fazer mais cortes”, afirmou.

O economista Marcos Ross, da XP Investimentos, também destacou a queda nas projeções de inflação divulgadas no comunicado. A instituição projetava mais um corte de juros neste ano, para 5%, mas afirmou que as mudanças no comunicado do BC devem levar a uma revisão desse número para baixo. “Com juro a 5% e câmbio relativamente depreciado, a inflação ainda está abaixo de 4%. Isso vai abrir mais margem para o BC seguir cortando juros”, afirmou.

O BC alerta, entretanto, que o cenário segue incerto e os riscos associados a uma desaceleração mais intensa da economia global permanecem. “Não tem no cenário internacional obstáculo para continuar a cortar os juros. Mas é um cenário que contém ainda certo grau de risco”, afirmou Jankiel.

Poupança segue mais vantajosa que fundos de renda fixa no curto prazo

A poupança mantém sua vantagem em relação aos fundos de renda fixa, mesmo com o corte de 0,5 ponto percentual na taxa Selic, anunciado nesta quarta-feira (18) pelo Banco Central. A taxa de juros, agora em 5,5%, deixa o investimento mais vantajoso que fundos com taxa de administração a partir de 1% no curto prazo, para resgates até seis meses.

Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), as modalidades empatam em desempenho em dois casos: quando a taxa de administração do fundo for de 1% em um prazo de resgate de seis meses a um ano e quando a taxa for de 1,5% e o resgate acontecer entre um e dois anos. Pelas contas da associação, os fundos de investimentos têm um rendimento superior à poupança apenas quando suas taxas de administração são de até 1% para prazos superiores a um ano, ou quando o prazo de resgate é superior a dois anos com uma taxa anual de até 1,5%.

O rendimento da poupança com a nova taxa de juros, segundo a Anefac, é de 3,85% ao ano e de 0,32% ao mês. Este percentual é proporcional ao rendimento anual de 70% da Selic mais a taxa referencial (TR) que, no momento, é zero. Além de não ter taxa de administração, a poupança se destaca ante fundos de renda fixa por ser isenta de imposto de renda.

Devido a incidência do IR, aplicações em Certificados de Depósito Bancário (CDB) são mais vantajosas que a poupança apenas quando têm um rendimento acima de 85% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI).

O que é a Taxa Selic?

  • A Selic, que serve de referência para os demais juros da economia, é a taxa média cobrada em negociações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, registradas diariamente no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). A taxa básica serve de referência para as operações com títulos públicos e para o mercado interbancário. Nos empréstimos bancários para pessoas físicas e empresas, as taxas médias estão em 44% e 19% ao ano, respectivamente, de acordo com o Indicador de Custo do Crédito do BC para o mês de julho.
  • A Selic chegou a 7,25% em 2012, no governo Dilma Rousseff, mas voltou a subir. No governo Michel Temer, os juros atingiram a mínima de 6,50% ano.
  • A nova rodada de cortes se dá em um contexto de fraco crescimento da economia, inflação abaixo da meta, desemprego elevado e queda de juros no exterior. O BC tem condicionado os cortes à continuidade da agenda de reformas, o que tem contribuído para a queda do risco-país e evitado uma alta mais elevada do dólar.

 

Fonte: Jornal do Comércio.